
Parece que já não tenho sobre o que escrever. Como se os assuntos tivessem se esgotado ou a inspiração tivesse simplesmente decidido tirar férias. Não sei. Pelo visto, hoje estou sem respostas… e quase sem assunto.
E então comecei a escutar uma playlist de sucessos antigos. Pronto. Vieram as lembranças. Pessoas, lugares, momentos, coisas que já não existem da mesma maneira — ou talvez só existam agora dentro de mim. Saudade. Tanta saudade!
Não sou uma pessoa melancólica, mas me pego, às vezes, terrivelmente emocionada por uma música, por uma fotografia, por um cheiro, por uma lembrança qualquer que, de repente, abre uma porta para outras vidas.
Pedaços de outras vidas que me trouxeram até aqui. Somos feitos desses retalhos. Pessoas que passaram, lugares onde estivemos, amores que vivemos, perdas, encontros, escolhas, erros, acertos… pedaços que foram se costurando, uns aos outros, até formar quem somos hoje. Um imenso patchwork de tantas versões de nós mesmos. E então tento voltar.
Voltar ao presente, ao agora, deixar a tristeza passar. Afinal, algumas coisas precisam ficar onde ficaram.
Mas, às vezes, é tão bom recordar…Não tudo. Não todos. Mas há momentos preciosos que talvez nunca voltemos a viver. E talvez seja justamente por isso que precisamos guardá-los.
Não para voltar ao passado, mas para reconhecer que ele também nos trouxe até aqui. Talvez recordar seja isso: tocar, por alguns instantes, aquilo que fomos — e agradecer por ter sido.
Patchwork!
Colcha de retalhos
De uma vida… agora, só resta:
Lembrar, sorrir, sofrer, chorar
E recordar e viver o que ocorreu,
O que ficou , o que mudou, e o que ainda é.
Cida Guimarães
22/08/26

