
Já comentei em outra postagem que estou participando de um curso de leitura. Agora, iniciei também um curso de filosofia — mais um entre tantos —, mas que tem me conduzido de volta aos filósofos: pré-socráticos, a Platão, Sócrates e Aristóteles, e outros. É curioso perceber como esses dois percursos se entrelaçam e dialogam entre si.
Como dizia Platão: ” Uma vida não refletida, não vale a pena ser vivida. “
Ao mesmo tempo, venho aproximando essas reflexões da visão de pensadores e escritores como Epicteto, Dostoiévski e Shakespeare.. Suas inquietações, seus mergulhos na condição humana e seus questionamentos sobre a existência parecem ecoar, de formas distintas, os mesmos princípios filosóficos — como se, atravessando os séculos, essas vozes ainda conversassem entre si… e conosco.
Tenho me dado conta de como essas leituras se “encaixam”, não de maneira perfeita, mas profundamente humana — tocando nossas próprias contradições, nossos dilemas, aquilo que carregamos no subsolo da alma.
Vivemos, afinal, em busca de respostas. Buscamos compreender quem somos, decifrar nossas incoerências, acolher nossas sombras e nossas luzes. Mas será que um dia alcançaremos uma paz plena?
Seremos capazes de compreender e aceitar, por inteiro, nossas incongruências?
Nosso subsolo, assim com o de Fiódor, é pleno de sombras e contradições.
Talvez a paz não esteja em resolver tudo, mas em aprender a habitar essas perguntas com mais serenidade. Talvez esteja em reconhecer que somos, ao mesmo tempo, construção e mistério — e que há uma beleza silenciosa nesse caminho inacabado.
E tu, o que pensas? Me conta…. adoraria saber.
Entre o que Falta e o que Somos
Por que somos seres sempre insatisfeitos, sempre em busca?
Buscamos satisfação, afirmação, experiências — como se algo em nós estivesse sempre por completar. Talvez a busca mais importante não seja por fora, mas por dentro: a busca de nós mesmos.
Compreender-nos, aceitar-nos, para então nos tornarmos menos juízes dos outros.
Mais empáticos, mais conciliadores. Menos inclinados a condenar as faltas e os problemas alheios — afinal, também somos feitos de falhas.
Talvez, ao encontrar essa paz interior, consigamos mudar o olhar: perceber mais o que temos do que o que nos falta. Aprender a colocar nossos desejos sob nossa própria condução, tornando-nos, de fato, senhores da nossa vida.
Mas isso exige coragem. É preciso olhar para dentro, refletir sobre nossas escolhas, reconhecer os caminhos que insistem em se repetir. E então a pergunta permanece,
inquieta e necessária: Por quê?
Seriam nossas escolhas equivocadas — ou apenas humanas, aprendendo,
tropeçando, tentando de novo? Talvez não se trate de eliminar a busca, mas de transformá-la.
Que ela deixe de ser um vazio que cobra e passe a ser um movimento que constrói.
E, quem sabe, nesse processo, a insatisfação perca seu peso — não porque tudo se resolveu, mas porque finalmente começamos a nos encontrar no caminho.
Cida Guimarães
28/05/26


