
Domingo nublado, garoa fina, praia repleta de pinguins mortos. Tristeza!
Nunca tinha visto tantos; no máximo um ou dois. Hoje, mais de dez estavam espalhados ao longo da orla. Visão desoladora. Urubus já farejando a carniça.
O pessoal da vigilância sanitária passava recolhendo-os. Perguntei o motivo deles não conseguirem chegar vivos. Explicaram que eram pinguins jovens, que se arriscam na travessia e acabam vencidos por tempestades, redes de pescadores e tantas outras adversidades.
As mudanças climáticas também agravam a situação: o mar já não é previsível, e as variações bruscas de temperatura enfraquecem os animais. Nunca vi nenhum chegar até aqui vivo. Que triste fazer uma travessia, mas morrer na praia!
Pensei então que eles se parecem conosco. Na juventude, movidos pelo ímpeto, nos lançamos em aventuras sem medir riscos. Acreditamos que podemos tudo.
Há nisso beleza, mas também perigo, pois cada escolha traz peso e consequências e os sonhos, muitas vezes, viram pesadelos.
Mas talvez seja justamente esse excesso que nos empurra para frente.
É no tropeço que aprendemos a equilibrar, é na ousadia que descobrimos caminhos.
A juventude arrisca, cai, recomeça — e assim abre espaço para que a vida siga reinventando-se.

Contrastando com a morte, a vida pulsando, vemos o ímpeto, empenho dos pescadores puxando suas redes. É lindo o trabalho de equipe, o revezamento.
Todos unidos buscando seus objetivos.
É possível atingir nosso alvo individualmente, mas quando unimos esforços , quando há cooperação e revezamento, os resultados podem ser surpreendentes. Conseguimos contestar, mudar e melhorar as situações, unindo esforços e manifestando-nos como um grupo coeso, unido em suas próprias convicções.
Cida Guimarães
31/08/25


