
Paulo Coelho nos apresentou, em seu livro Maktub, esta palavra, conceito. Maktub, de origem árabe, significa “estava escrito” ou “tinha que acontecer”.
É frequentemente associada à predestinação e ao fatalismo muçulmano, refletindo a crença de que os acontecimentos da vida já foram traçados e de que devemos aceitar os desígnios do destino.
Mas será que tudo já está realmente escrito? Onde entra, então, o nosso livre-arbítrio ?
“Existe uma direção, mas não um destino”.
Carl Rogers
“Ficar incomodado implica mexer-se; e ser valente é enfrentar o inimigo, firme, teso, de pé; portanto, se ficas incomodado, não ficas parado e foges.”
William Shakespear“Eu já disse, mas vou repetir: não se represa um rio, não se engana a natureza, faça a represa o que quiser, pois o rio cedo ou tarde vai arranjar um jeito de rasgar a terra, abrir um caminho, e voltar a correr em seu leito de origem.” Fernando Pessoa
Acredito, assim como os ilustres pensadores acima, que exista uma linha condutora, com bifurcações que envolvem nossas escolhas — escolhas que podem confirmar ou alterar o traçado inicial.
Alguns marcos parecem, de fato, pré-definidos, inevitáveis, e teremos que enfrentá-los.
Mas ainda assim, podemos escolher: repetir os mesmos padrões ou ousar o diferente; romper os grilhões que nos prendem a condicionamentos ou permanecer atados a eles.
A vida seria, então, uma estrada com GPS já programado? Ou uma grande aventura, na qual o radar às vezes falha e precisamos, com coragem, inventar rotas alternativas?
Talvez seja as duas coisas: um mapa esboçado no invisível, mas com espaço suficiente para que possamos redesenhar os caminhos. E é nesse espaço de incerteza que nasce a beleza da jornada — quando, entre o inevitável e o imprevisto, descobrimos que sempre haverá horizontes novos a alcançar.
Maktub
Dizem: “estava escrito.”
Mas se tudo já foi traçado,
onde repousa, então, o nosso livre-arbítrio?
Talvez a vida seja assim:
um mapa invisível,
com marcos inevitáveis,
mas também com encruzilhadas abertas ao nosso gesto.
Entre o destino que nos chama
e as escolhas que ousamos,
caminhamos — ora guiados pelo GPS secreto do universo,
ora inventando rotas sob estrelas incertas.
E é nesse intervalo entre o escrito e o improvável
que mora a beleza da jornada.
Cida Guimarâes
04/09/25


