
Meu espaço, minha voz, meus desejos, pensamentos, necessidades…
Que abismo separa o meu eu do outro?
Como é difícil estar aberto, ouvir e compreender quando nos fechamos em nós mesmos.
O outro vira sempre o outro: o errado, o difícil, o complicado.
E o autoexame? Quase nunca acontece. Por que fazê-lo, se estou sempre certo?
Não é assim que pensamos?
A humildade de olhar para dentro, reconhecer nossas falhas,
admitir os enganos — falta-nos quase sempre.
Somos, na nossa ilusão, quase perfeitos; os problemáticos são sempre os outros.
Mas talvez o caminho esteja no sopro que desarma,
na pausa que nos faz escutar, no gesto simples que rompe muros.
Se ousarmos abrir uma fresta, o outro já não será ameaça, mas espelho e horizonte.
E, quem sabe, nessa travessia, descubramos que nunca fomos tão distantes assim.
Cida Guimarães
30/09/25


