
Como percebemos e sentimos de formas tão diferentes!
Cada pessoa é um universo distinto e, por vezes, totalmente inacessível.
Não conseguimos compreender certas escolhas, reações ou silêncios e, provavelmente, o mesmo acontece com os outros em relação a nós.
Como lidar com esse hiato? Talvez apenas por meio de uma escuta verdadeiramente interessada e de uma comunicação aberta, despida de julgamentos.
Mas até a comunicação é frágil: ouvimos o que mais se aproxima de nossas crenças, filtramos o que nos parece fazer sentido — e quase sempre nos equivocamos.
Ainda assim, se houver vontade genuína de entender o outro, de atravessar o abismo do “eu” e do “tu”, talvez consigamos, por instantes, construir pontes.
Pontes de empatia, onde a palavra vira abrigo e o silêncio, um lugar de encontro.
Os caminhos do entendimento!
É fraco ceder, tentar, relevar, buscar soluções?
Talvez, aos olhos do outro, pareça fraqueza. Mas, na verdade, é uma busca de paz interior — o desejo de encontrar respostas, de acalmar o coração e, enfim, compreender o que antes não tinha explicação.
Quão difíceis e tortuosos são os caminhos do entendimento!
Quão complexos são os indivíduos e seus sentimentos!
É preciso, às vezes, sair de si, olhar com outros olhos, para — quem sabe — começar a entender.
E quando finalmente compreendemos, ainda que em parte, algo se aquieta por dentro. A alma respira, o coração se faz leve — e a vida segue, menos dura, mais humana.
“Falar é uma necessidade, escutar é uma arte.“
(Goethe)
“Pontes Invisíveis”
Entre o que digo e o que ouves
há mares de silêncio.
Palavras que se perdem
antes de tocar tua alma.
Traduzo-me em gestos,
mas teus olhos leem outros sinais.
E assim seguimos —dois mundos
buscando um idioma comum.
Talvez, um dia, aprendamos a falar
na língua do coração: sem ruídos,
sem medo, apenas presença.
Cida Guimarães
11/10/25


