
Como ferimos — e somos feridos — justamente por aqueles que mais tocam nosso sentir!
Quando voltados apenas para nós mesmos, não percebemos que temos teclas delicadas, que precisam ser tocadas com sensibilidade para produzirem notas harmoniosas.
Mas quando vêm os destemperos, tocam com brusquidão — e desafinamos.
O resultado é uma nota dissonante, mais ruído do que música.
Ainda assim, a beleza dos relacionamentos talvez esteja nisso: em aprender a afinar de novo, a escutar o outro com mais cuidado, a reconhecer o compasso do silêncio e o valor da pausa.
Porque só quem se permite sentir — e tocar com o coração —
pode transformar o ruído em melodia outra vez.
SENTIR
É só o roçar de uma flor —perfume e cor
que despertam o amor, mas também a dor
de quem toca o desencanto.
O outro não vê, não pressente o quanto
cada palavra retida, cada silêncio imposto,
gela o que antes era calor.
Há flores que perfumam e ferem, há gestos que abraçam e afastam.
Que amor é esse que não sente a dor
que causa ao outro?
Amor, ou apenas reflexo de um amor a si mesmo?
Cida Guimarâes
29/10/25

• Permita-se sentir. Sinta, sinta, sinta. Mesmo que o que você sinta seja dor, apenas permita-se sentir” — Maggie Stiefvateae
“Sabe o que eu quero de verdade? Jamais perder a sensibilidade, mesmo que às vezes ela arranhe um pouco a alma. Porque sem ela não poderia sentir a mim mesma…”
—Clarice Lispector


