
Olhante, orante, conversante, ficante, eu acrescentaria, amante, namorado, marido, alguns tratantes —meu Deus, inventamos uma infinidade de categorias, rótulos e denominações para quem supostamente, viria preencher o vazio de pessoas cada vez mais sozinhas, carentes e eternamente “procurantes” de alguém que supra necessidades que, no fundo, são infinitas.
Será que há um “improviso” interessante nesse palco de expectativas?
O virtual vem substituindo o real, que também anda capenga, porque cada vez mais as pessoas buscam um ideal difícil — quase impossível — de ser encontrado. Esquecem que elas mesmas não são perfeitas, completas.
Há os “dating sites”, onde perfis retocados tentam encontrar sua “cara-metade”, que, muitas vezes, é tão distinta da imagem projetada quanto da própria realidade.
Quais os caminhos? Não sei. Sou de uma época, quase jurássica, em que era maravilhoso “secar”: olhar, admirar, curtir à distância até que a aproximação acontecesse. Havia romance, sutileza, beleza no passo a passo — aquela excitação leve, a expectativa que acendia a alma.
Hoje são tempos de “one-night stands”: tudo raso, rápido, superficial, descartável. O sexo como início é vazio — são só corpos. Mas quando o encontro acontece na comunhão de espíritos… ah, aí ele é sublime.
O amor, esse sim, anda raro. Porque exige verdade, integridade, vulnerabilidade, entrega.
E, no galopante individualismo atual, cada um tentando preservar sua individualidade a qualquer custo — sem perceber que, no amor, a individualidade não se perde: ela se transforma, se expande e encontra eco no outro.
No fim, talvez ainda exista espaço para esse amor que nasce no silêncio, cresce na sinceridade e floresce quando duas almas, cansadas de superfície, finalmente se reconhecem.


Cida Guimarães
12/12/25


