
Qual é a magia que envolve o fim de um ano, a virada da data e o início de outro, capaz de mobilizar milhares de pessoas?
Parece que o término de um ano fecha um ciclo — especialmente quando esse ciclo foi marcado por dificuldades, lutas, desamor. E então, cada um se agarra à esperança de que a simples mudança da data signifique o início de algo novo, melhor, mais promissor.
Mas será?
O fascínio da virada do ano reside justamente nesse profundo simbolismo: um momento universal de renovação, reflexão e esperança. É um ponto de transição que oferece um certo fechamento psicológico ao que termina e a promessa, ainda que frágil, de um recomeço.
Esse mistério que nos encanta nasce de várias camadas — psicológicas, culturais e emocionais.
Há o fechamento de ciclo, que nos permite olhar para trás, integrar experiências, aceitar quedas e conquistas, e então nos preparar para escrever um novo capítulo. Há também o otimismo coletivo, uma energia compartilhada que faz com que, por alguns instantes, todos acreditem em saúde, prosperidade e felicidade futuras.
Buscamos ainda uma sensação de controle sobre o que é incerto. Por meio de rituais e superstições — comer lentilhas, pular ondas, vestir branco — criamos símbolos que acalmam, como se pudéssemos negociar com o tempo e o destino. E, claro, a virada fortalece laços sociais, reunindo amigos, famílias, desconhecidos que, por uma noite, sentem-se parte de algo maior.
Tudo isso é atravessado por tradições ancestrais, ligadas aos ciclos da natureza e da vida, o que confere à celebração um peso quase atemporal.
Ontem foi incrível. Milhares se reuniram à beira-mar para assistir à queima de fogos. A maioria vestia branco. Havia cadeiras dispostas na areia, taças de espumante erguidas, olhares atentos ao céu. Um ritual coletivo, quase silencioso, como se todos partilhassem o mesmo desejo não verbalizado.
No fundo, a virada do ano nos comove porque é uma tela em branco. Um instante em que, coletivamente, escolhemos acreditar que é possível recomeçar. Talvez nada mude magicamente à meia-noite — mas algo se move dentro de nós. E, às vezes, é esse pequeno deslocamento interno que abre espaço para novos rumos, novas escolhas e, quem sabe, um futuro que valha a esperança que projetamos nele.

Desejo a todos um maravilhoso 2026! Dificuldades, problemas, quase certo, irão ocorrer, mas que tenhamos calma e sabedoria para lidar com eles e possamos realizar muito do que sonhamos.
Cida Guimarães
01/01/2026


