

Nosso casulo ou uma bolha sempre prestes a explodir?
Talvez seja ambos. É na família que estão nossas raízes, o primeiro lugar de acolhimento e aceitação. Mas é também ali que somos chamados a trabalhar o respeito, a tolerância e a aprender a amar com desprendimento.
Exercício difícil, mas necessário!
Paradoxalmente, ferimos mais aqueles que mais amamos. E é justamente na família que precisamos exercitar a compreensão e o perdão, pois os conflitos são inevitáveis, sempre presentes. Como lidar com as tensões?
Como substituir a crítica pelo acolhimento, a resposta ácida pela mansidão amorosa?
É um exercício diário, que exige calma, paciência, aceitação das diferenças — e, acima de tudo, muito amor.
Segundo o Espiritismo, a família não começa no berço nem termina no tempo. Antes do sobrenome, do endereço comum e das fotografias antigas, há uma história escrita na alma.
A família é um reencontro de espíritos. Almas que se procuram, às vezes sem saber por quê. Algumas vêm ligadas pelo afeto já construído, outras pelo desafio que ainda precisa ser transformado em amor. Nem sempre há suavidade nesses encontros.
Há silêncios difíceis, palavras mal ditas, distâncias que doem mesmo dentro da mesma casa. Mas nada é aleatório. Cada vínculo carrega uma lição, cada convivência é um convite ao crescimento interior. Os laços de sangue passam. Os laços do espírito permanecem. Por isso, nem toda afinidade nasce parente, e nem todo parente nasce afinidade.
Ainda assim, é ali — naquele núcleo imperfeito —que o espírito aprende a amar sem escolher tanto, a perdoar mesmo quando o orgulho resiste, a compreender que o outro também está em processo.
A família é a primeira escola da alma. Pais ensinam enquanto aprendem. Filhos aprendem enquanto ensinam. Todos erram, todos recomeçam. E, mesmo nos lares mais difíceis, há sempre uma oportunidade silenciosa de reparar o passado e suavizar o futuro.
Não existem famílias condenadas, existem famílias em construção. Algumas avançam com ternura, outras com esforço e lágrimas. Mas nenhuma experiência é desperdiçada quando o amor — ainda que pequeno — insiste em ficar.
E talvez seja isso que o Espiritismo nos sussurra, com delicadeza e verdade: a família ideal não é a que nunca falha, mas a que não desiste de evoluir. Porque, quando a compreensão começa a nascer, quando o perdão encontra espaço, mesmo que tímido, o lar deixa de ser apenas um lugar e passa a ser um caminho. Um caminho onde espíritos se ajustam, corações se educam,
e o amor — ainda imperfeito —aprende, pouco a pouco, a se tornar eterno.

Cida Guimarães
10/01/2026


