
Estou fazendo um curso de leitura maravilhoso. Além das discussões sobre a obra, recebemos diariamente um vídeo provocativo, sempre com um tema extraído do texto estudado.
No momento, estamos estudando os estóicos: Sêneca, Epitecto, Marco Aurélio.
Hoje, a expressão veio do latim: Memento Mori ___ Lembra-te, que és mortal.
Na época dos grandes imperadores, homens investidos de poder absoluto, dizia-se que, durante a coroação ou nos desfiles triunfais, um escravo lhes sussurrava ao ouvido:
“Memento Mori” — lembra-te de que és mortal.
Que contraste!
No auge da glória, no instante da exaltação máxima, alguém lembrava da finitude.
Meu Deus… como nos esquecemos disso. Esquecemo-nos quando nos orgulhamos em excesso, quando nos deixamos consumir por uma ofensa, quando nos entristecemos ou
nos enraivecemos de maneira desproporcional.
Naquele momento, o fato ganha uma importância gigantesca — quase absoluta.
Perdemos a medida. Perdemos a perspectiva.
E esquecemos que somos passageiros.
Cada dia que vivemos é também um dia que deixamos para trás.
Já estamos, de certo modo, morrendo um pouco a cada amanhecer.
E, passado algum tempo após nossa partida, talvez reste apenas uma fotografia empoeirada, algumas lembranças esparsas, uma data ocasionalmente recordada.
Pode soar duro. Mas, para mim, há algo libertador nisso. Se somos finitos, então cada gesto importa. Se o tempo é breve, que não o desperdicemos com vaidades infladas ou mágoas cultivadas.
Memento mori não é um convite ao medo — é um chamado à consciência. Lembrar que somos mortais não diminui a vida. Amplia. Dá peso ao agora.
Dá urgência ao afeto. Dá valor ao que é simples.
Talvez a verdadeira sabedoria esteja em manter essa memória viva — não para nos entristecer, mas para nos tornar mais humanos, mais humildes, mais inteiros. Porque, se o fim é inevitável, que o caminho seja intenso, generoso e verdadeiro.
E que, quando formos apenas retratos em uma estante qualquer, possamos ter deixado mais do que datas — tenhamos deixado presença. 🌿✨
Cida Guimarães
26/02/26


