
Assisti, outro dia, no Centro Espírita que frequento, a uma palestra sobre o Sermão da Montanha e as Bem-Aventuranças. O expositor falou das quatro primeiras virtudes —Mansuetude, Resignação, Humildade e Fé — como quem ilumina, com cuidado, degraus internos que às vezes esquecemos de subir.
Voltei para casa refletindo sobre como essas qualidades se encadeiam: uma chama a outra, uma repousa na outra. Nossa jornada é feita de altos e baixos, de ventos contrários e pequenas bonanças; e, se não cultivarmos a serenidade que abre espaço para a mansidão, torna-se difícil acolher as adversidades como parte natural do caminho.
Resignar-se, então, não é desistir — é compreender o ritmo da vida.
Para isso, é preciso humildade: esse gesto silencioso de reconhecer nossas falhas, nossas sombras, e ainda assim acreditar que podemos aprender. E é a fé que sustenta esse movimento – a confiança de que somos capazes de fazer melhor, de levantar mais leves, de seguir mais inteiros.
No mundo de hoje, tão marcado por conflitos nascidos da falta de humildade e de mansuetude, somados à ganância e ao egoísmo, sinto que cabe a cada um de nós ser artífice dessas virtudes delicadas.
Porque é sempre no coração de um indivíduo que começa a mudança que, um dia, alcança o todo.

Calma para agir
quando a alma chora.
E, ainda assim,
resignação para sorrir.
Humildade
para pedir perdão.
E fé — muita fé —
para seguir.
Cida Guimarães
15/11/25


