
Resolvi, hoje, escrever sobre o porquê desse título . Não é só sobre mim. Somos todos caminhantes.
Uns, apressados e distraídos, seguem pelas searas do mundo sem olhar para a paisagem, sem notar a beira do caminho —perdem belezas, descuidam das lombadas, das crateras, e até de outros viajantes, que talvez precisem de ajuda. Há, entretanto, os cuidadosos: os que verificam as condições do trajeto antes de partir, que planejam com antecedência cada passo —mas, às vezes, se perdem nas minúcias.
Há de tudo por aí…
Cada um no seu ritmo, no seu tempo, com seu mapa interno. O mais importante, talvez, seja estar presente no trajeto do agora. Nem muito à frente. Nem tão atrás. Certezas? Não tenho. Carrego dúvidas, perguntas sem resposta, e essa vontade de seguir. Seguimos. Porque, no fundo, é isso que fazemos: caminhar.
Caminhante
Caminhante de vales floridos,
de lagoas serenas, de luares e nasceres do sol.
De garças, gaivotas e andorinhas
em lindas formações.
És também o mais encurvado —
às vezes, alquebrado —
viajor das ressacas, das brumas,
dos espessos nevoeiros.
Tuas rotas nem sempre são claras,
nem fáceis. Perdes-te.
Desesperas-te. Mas buscas forças.
E buscas sentido.
E ele vem — em forma de novos desafios
ou do mais puro e inesperado encantamento.
Cida Guimarâes
01/08/25


