
Pensei, hoje, em tantos povos, alguns que visitamos, que enfrentam barreiras invisíveis, incalculáveis, tentando se entender. Barreiras de raça, de credo, de modos de ver o mundo, de valores e verdades que se chocam —e seguem erguendo muros, travando guerras sem fim. Mas tudo começa no íntimo, no pequeno território de cada um de nós, na dificuldade de enxergar, sentir e respeitar o outro como ser único, com necessidades que se assemelham às nossas e, ainda assim, são tão diferentes.
Quando não validamos o outro, quando ignoramos sua dor ou seu desejo, nenhum relacionamento resiste. É impossível conviver quando não somos vistos, ouvidos, considerados.
Meus sonhos, meus pensamentos, minhas necessidades, minha verdade…Tudo se resume a mim? Não. Não sou ilha. Preciso de pontes, de braços que alcancem o continente, de um olhar que responda ao meu.
E você? Qual é a sua verdade, a sua necessidade?
Escuto, compreendo —ou simplesmente passo?
As conexões só florescem quando há vontade sincera de entender, e o desejo mútuo
de fazer acontecer.
Conheci em minha viagem, algumas pessoas que marcaram e deixaram uma linda recordação. Uma delas foi a Evelyn, da Guatemala. Maravilhosa! Pura sensibilidade, emoção e capacidade de se doar, de ver e sentir o outro. Pessoas como ela deixam uma sensação boa, de reconhecimento, de pertencimento, de amor em sua concepção maior e mais bonita. Tornam o mundo um lugar melhor. Obrigada querida amiga pela acolhida, carinho e companhia.
Os caminhos do entendimento!
É fraco ceder, tentar, relevar, buscar soluções?
Talvez, aos olhos do outro, pareça fraqueza.
Mas, na verdade, é uma busca de paz interior
— o desejo de encontrar respostas, de acalmar o coração e,
enfim, compreender o que antes não tinha explicação.
Quão difíceis e tortuosos são os caminhos do entendimento!
Quão complexos são os indivíduos e seus sentimentos!
É preciso, às vezes, sair de si, olhar com outros olhos,
para — quem sabe — começar a entender.
E quando finalmente compreendemos, ainda que em parte,
algo se aquieta por dentro. A alma respira, o coração se faz leve
— e a vida segue, menos dura, mais humana.
Cida Guimarães
10/10/25


