



Como confiar se sempre há coisas não ditas, meias verdades, silêncios que escondem? Ninguém se mostra inteiro.
O que vemos é superfície: um rosto polido, uma embalagem brilhante que encobre o produto real. E dói quando somos confrontados não com o que parecia ser, mas com o que é.
A desilusão corta fundo. E então perguntamos: a culpa é dos outros, das circunstâncias… ou nossa, que insistimos em vestir a realidade com véus de sonho?
Somos todos feitos de muitas camadas. Algumas são densas, escuras, difíceis de suportar. Descobri-las é sempre um choque.
E quando a confiança se rompe, como lidar com esse sentimento de ter sido enganado. Ou pior: será que também provocamos isso nos outros?
A confiança se constrói devagar, pedra sobre pedra. Mas basta um trincado para que desabe — e raramente volta a ser como antes. Ficam as rachaduras, lembrando que a qualquer instante podem se abrir em abismos.
Ainda assim, sem ela, nada floresce. Nenhum amor, nenhuma amizade, nenhuma parceria resiste. O que sobra é apenas mato seco, raízes frágeis, relações corroídas.
Talvez confiar seja sempre arriscar. Talvez, seja justamente esse risco que nos torna humanos. E a pergunta que ecoa é: sem ela, o que nos resta?

Cida Guimarães
01/09/25


