
Último mês do ano>DEZEMBRO
Tempo de festas, antecipações, expectativas, metas e novos planos — como se, ao virar o calendário, virássemos também uma página interna e começássemos outra vida. Quando criança, eu tinha um calendário alemão encantador, cheio de pequenas janelinhas. Cada uma escondia uma cena de Natal que eu abria, dia após dia, até chegar ao dia 24 — que também era o aniversário da minha mãe. Atrás daquelas pequenas janelas ilustradas existia um mundo íntimo de sonhos e ilusões. Havia algo mágico ali: a expectativa, o encantamento, a juventude e aquela sensação doce de que o mundo inteiro ainda estava por ser descoberto.
Amei o Natal com intensidade. Era uma celebração viva na minha casa, guiada pelas mãos cuidadosas da minha mãe: ela montava presépios enormes e lindos, reunia a família inteira, sempre com direito a Papai Noel e muitos presentes. Tenho saudade desse tempo em que os filhos eram pequenos e a família ainda não conhecia as despedidas que viriam.
Mas o tempo, inexorável, vai alterando tudo. Hoje é difícil lembrar, no meio de tanta correria e comercialização, que o Natal deveria vir vestido de amor, fraternidade e do verdadeiro sentido do nascimento de Cristo — aquilo que Ele veio ensinar e que tantas vezes se perde em meio ao brilho das vitrines.
Abaixo, o último Natal com minha amada mãe(1999). Meus dois irmãos, Claudio e José, ainda estavam vivos. Laerthe, meu irmão mais velho, tinha partido há pouco.

A vida, com sua maneira sutil e implacável de levar o que amamos, foi apagando aos poucos o brilho dessa data. Além da minha mãe, levou raízes, galhos, laços.
É inevitável a nostalgia. Lembramos os que já não estão conosco — e a ausência do meu filho é, sem dúvida, a mais dolorosa.
Então chega o fim do ano com seus festejos, como se celebrássemos um futuro que ainda desconhecemos. Celebramos o simples fato de estarmos vivos, a bênção da saúde, as pequenas e grandes conquistas do ano que termina — e guardamos, quase como um voto silencioso, a esperança de sermos e fazermos melhor no ano que chega.
Será um ano par. Que venha benéfico, leve, generoso — e que deixe memórias tão lindas quanto as daquele Natal em que tantos ainda estavam entre nós. Feliz dezembro!
Foto de um Natal há cerca de 7 anos na casa da sobrinha, Jane

Cida Guimarães
01/12/2025


