
IMPRESSÕES
Conhecemos, de fato, o outro? Ou há sempre tantas máscaras e camadas difíceis de remover?
É como contemplar um romã: belo à primeira vista. Mas, após retirar sua casca grossa e enfrentar a frágil membrana interna, ainda é preciso lidar com os inúmeros gomos, repletos de sementes.
Nossas reações já são, muitas vezes, imprevisíveis; as do outro, então, quase impossíveis de antecipar, e frequentemente nos surpreendem, deixando-nos inquietos.
Talvez por isso surja a necessidade de vestir uma couraça protetora: não para julgar alguém apenas pela aparência, nem tampouco pela essência, mas para, passo a passo, avaliar a consistência do que se revela.
Parar de pré-julgar, de rotular, de alimentar expectativas que raramente se cumprem. Permitir que a vida revele, em seu tempo, a verdadeira face das coisas.
Fácil? Não, é um dos maiores desafios, pois quase sempre nos adiantamos aos acontecimentos, inventando histórias e vestindo-os de fantasia. O exercício é tentar pousar no presente e olhar com olhos limpos, livres das névoas do sonho.
Nebulosas
Almas envoltas em camadas de véus,
faces com máscaras de ferro.
Guardam traumas, histórias que apenas adivinhamos,
que às vezes transparecem.
Que lindo seria se víssemos intenções,
se tocássemos o real e não o superficial,
a verdade e não a maldade,
a essência e não as versões ensaiadas.
Mas como sintonizar
se as estações são falsas?
Se quase tudo é combinado,
dublado, encenado,
transformado em meme?
Fico a perguntar: a verdade desapareceu,
ou apenas se escondeu,
à espera de quem ainda saiba procurá-la?
Cida Guimarâes
03/09/25


