
E quando sentimos aquela angústia, o aperto no peito, e não sabemos identificar a causa? Quando há tanto que foi desperdiçado e tanto mais que a vida simplesmente levou?
O tempo é finito.
Há que viver o hoje. Olhar para o que temos e não para o que falta. Reclamar menos — ou não reclamar. Meu Deus… são tantos conceitos. Na teoria, abraçamos todos eles. Mas conseguimos colocá-los em prática? Nem sempre.
Já vivi mais anos do que grande parte da população vive. Ultrapassei a média de idade das mulheres. Isso me faz pensar. O tempo é finito — e ainda há tantas coisas que desejo viver e fazer.
Sou mais tranquila hoje, mas não um lago manso. Ainda há ondulações.
Reflito mais. Tento dar um tempo. Pensar antes de reagir. Meus anseios, hoje, são mais simples. Não espero bens, não desejo acúmulos. Estou satisfeita com o que tenho. Talvez planeje viagens — sempre elas. Mas talvez meu maior sonho agora seja ver minhas filhas e netas bem, felizes, e conseguir deixar mensagens positivas como herança invisível.
Lembro ddo filósofo romano Sêneca em Sobreva Brevidade da Vida, do filósofo romano Sêneca. Ele dizia que não recebemos uma vida breve — nós a tornamos breve. Não somos carentes dela, somos esbanjadores. Pequena é a parte da vida que realmente vivemos; o restante é apenas tempo.
Tempo — o que temos de mais precioso. Finito. Célere. Irrecuperável.
E talvez a angústia venha exatamente daí: da consciência de que viver não é apenas existir no tempo, mas habitá-lo com presença. Ainda há ondulações, sim — mas há também profundidade.

Cida Guimarães
18/02/26


