
Que medo me causam os que se julgam acima dos demais mortais — os que falam apenas para si mesmos, trancados em suas verdades, como se o mundo coubesse inteiro dentro de um único ponto de vista. Gente que não escuta, não considera, não se dobra nem hesita. Histórias inteiras, já vividas e registradas em sangue, nos alertam: lideranças assim costumam arrastar nações inteiras para o abismo — e não raro, levam consigo outros povos, outras vidas, outros mundos.
Vivemos tempos densos. O planeta estremece sob o peso de conflitos que se espalham como incêndios, ameaçando romper as frágeis costuras que ainda nos mantêm em pé. À beira do que pode ser um novo mergulho global na escuridão, talvez o que mais nos falte seja um gesto simples e profundamente humano: o de escutar.
Escutar não para responder, mas para realmente compreender. Escutar com o coração desarmado, com as certezas em repouso e o ego em silêncio. Só assim será possível tecer pontes onde hoje há muros, reconhecer no outro a centelha que também arde em nós, e reconstruir — com palavras, empatia e humildade — o que o orgulho insiste em destruir.
Talvez a esperança more aí: no espaço entre uma escuta verdadeira e a coragem de rever o próprio mapa do mundo.
Cida Guimarães 16/07/2
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