
Tão difícil conhecer, ler e entender seres tão complexos.
Verdadeiros mistérios, cheios de nuances, obras-primas da criação.
Cada um, peça única. Original. Irrepetível.
Como haver paz, compreensão, se há tanta disparidade —
e se tampouco nós mesmos nos conhecemos por inteiro?
Somos territórios vastos, com luz e sombra, contradições e silêncios.
Às vezes nem deciframos os próprios abismos.
Então somos isso: seres distintos, complexos, tentando conviver.
Tentando ajustar diferenças, traduzir sentimentos, aprender a linguagem do outro
sem esquecer a nossa.
Talvez a paz não esteja na igualdade, mas na disposição de compreender.
Não na ausência de diferenças, mas no respeito por elas.
E talvez, enquanto seguimos tentando —errar, aprender, aproximar —
haja uma beleza silenciosa nisso tudo: a de seres imperfeitos que, mesmo sem se entenderem por completo, ainda escolhem caminhar juntos.
Quem somos nós?

Ostras — fechadas, inescrutáveis — até que se abrem.
Surpresa: podem guardar pérolas, raras e luminosas.
Ou
lagartas, insidiosas, capazes de dizimar o entorno
ou de se transformarem em borboletas — lindas, esvoaçantes.
Ou talvez nenhum dos dois.
Apenas meros camaleões, que mudam, se adaptam,
se transformam conforme a paisagem.
E então, inevitável: quem somos nós?
Você questiona-se a respeito? Medita? Tenta descobrir mais sobre seus sentimentos, reações? Tudo começa em nós. Então a viagem interna é a mais difícil, dolorosa, mas também essencial e linda. Vamos descobrir mais?
Cida Guimarães
16/02/26


