
Acredito que já escrevi muito sobre relacionamentos, autoconsciência e sobre como, muitas vezes, somos rápidos em formar opiniões — julgando o outro a partir de nossas próprias sensações. É difícil exercer isenção; a reflexão ponderada costuma chegar depois das reações que, na maioria das vezes, brotam de nosso ego ferido. Vamos de um extremo ao outro, e a plena consciência de nossos atos impensados costuma vir tarde demais. Quando percebemos, já magoamos — ou fomos magoados.

Polaridades!
Yin e yang —como asas que se tocam sem jamais se fundir.
O positivo e o negativo,
o quente e o frio, o bem e o mal,
o bom e o mau.
Atração e repulsa,
amor e ódio — rios que correm em direções contrárias
mas nascem da mesma fonte.
Habitamos o espaço entre extremos,
nesse fio tênue onde as forças se chocam
e silenciosamente se nutrem.
Como encontrar o centro?
O remanso no meio da correnteza?
Como tocar o escuro sem perder a luz,
acolher a dor sem sufocar o amor?
Talvez o segredo seja escuta,
um passo lento, a paciência de quem conhece o tempo,
e a consciência de que tudo pulsa em ciclos
— ora um, ora o outro.
Será que conseguimos tecer paz com fios tão opostos?
Talvez. Ainda assim seguimos tentando,
pois é ali, no intervalo das polaridades, que o coração descobre
o seu verdadeiro equilíbrio.
CIDA GUIMARÃES
31/10/25


