
Quem não os tem? Há aqueles que guardamos bem no íntimo e que, talvez um dia, possamos compartilhar com alguém muito especial — alguém capaz de entender, aceitar e acolher.
Tememos revelá-los porque são frágeis, delicados; carregam pedaços de nós, da nossa história, do caminho que percorremos. Nem sempre são coisas que nos desabonam ou que nos envergonham… talvez apenas despertem um pudor quieto. São sentimentos, sensações vividas, pequenas e inofensivas mentiras — às vezes até para nós mesmos.
Por que todos nós guardamos segredos tão nossos, tão íntimos, que quase ninguém toca? Talvez sejam memórias que ainda doem, culpas silenciosas…ou pequenos relicários de luz que preservamos como joias raras. Tememos que, ao revelar, algo se quebre — que o outro não compreenda, não acolha, e aquilo que para nós é sagrado se perca no ar.
Louco? Talvez. Humano? Sempre.
Do ponto de vista psicológico, manter um segredo gera diferentes conflitos. O primeiro deles é que essa é uma tarefa que consome energia. Como mostra um interessante estudo da Universidade de Columbia, é preciso avaliar constantemente o que pode ou não ser dito, de que forma, diante de quem e se alguém pode suspeitar. Há ainda a preocupação de revelá-lo por descuido. O pensamento recorrente sobre o segredo consome uma enorme quantidade de energia, assim como a auto avaliação que, muitas vezes, cobra um preço na nossa autoestima.
O segundo aspecto é de ordem sociológica. Embora segredos sejam vox populi, do ponto de vista social costumam carregar um peso significativo. Naturalmente, não estamos falando de segredos inofensivos.
E assim seguimos, entre o peso de calar e o risco de abrir a porta.
Segredos às vezes doem, às vezes protegem, às vezes apenas aguardam o momento certo de respirar. Porque, no fundo, cada segredo tem seu próprio tempo. E quando esse tempo chega, ele se desvela com leveza, como quem encontra finalmente um coração capaz de escutar — e aí, o que antes pesava, se transforma em caminho.
Um caminho mais claro, mais leve, onde até o silêncio aprende a florescer.
SEGREDOS
Guarda o que é precioso.
Recolhe-o ao silêncio,
abriga-o no teu peito.
Não há pressa em mostrar.
Segredo é joia rara:
brilha melhor no escuro.
Revelarás — um dia —quando teu coração
souber que haverá mãos suaves para receber,
olhos gentis para compreender e cuidado
suficiente para não deixar cair.
QUAL, ENFIM, O SEGREDO?

Cida Guimarães
06/12/2025


