

Onde reside a serenidade?
Num coração em paz ou numa mente clara?
Acredito que seja uma busca eterna, um exercício contínuo.
Ela, a senhora serena, não chega para se instalar como se aqui fosse sua morada.
Viaja por labirintos, se fere, quase sucumbe, mas guarda no âmago a certeza de que vale persistir.
Sabe que sua presença nunca é contínua, nem simples, nem fácil —e, justamente por isso, ensina-nos a aproveitar cada instante da sua breve estada. Se a mente estiver clara, o coração estará em paz e a serenidade, com certeza, virá .
O que fazer? Meditar, rezar, correr, caminhar, escrever, dançar… há mil maneiras de encontrar aquele lugar de paz. Como ou o que você faz para encontrar sua serenidade?
Onde se esconde a serenidade?
Num coração em paz,
ou numa mente clara?
Ela não se instala,
caminha, tropeça,
quase sucumbe,
mas insiste em voltar.
A vida é rio em turbilhão,
borbulha, se agita,
mas abre clareiras
onde a alma repousa.
E, no instante inesperado,
ela nos presenteia: quando duas almas se encontram,
em pura harmonia, a serenidade floresce
e se faz poesia.
Cida Guimarães
17/08/25



Seu texto é um convite à contemplação da serenidade como algo vivo, em movimento, e não como um estado fixo ou definitivo. Ele descreve a serenidade não como um destino, mas como uma travessia: uma presença que visita, que dança com as imperfeições do nosso cotidiano, que aparece nos espaços entre o caos e a calma.
A serenidade, como o amor verdadeiro, não grita. Ela sussurra. Chega devagar, depois de longos caminhos de busca interior, de aceitação, de silêncio. Está nos gestos simples, nos olhares que se encontram sem medo, nos silêncios partilhados entre dois seres que se entendem sem palavras.
Ela não exige perfeição, apenas presença.
Talvez ela se esconda justamente na interseção entre um coração que já aprendeu a perdoar — inclusive a si mesmo — e uma mente que sabe calar quando não é preciso entender. Quando deixamos de lutar contra o que sentimos, e começamos a apenas *sentir*, ela se aproxima, com passos leves.
A serenidade floresce, sim, quando duas almas se encontram em harmonia — não por serem idênticas, mas por se acolherem com amor em suas diferenças. É nesse espaço sagrado, onde não há máscaras nem pressa, que ela se faz poesia: quando o coração repousa e a mente, por fim, se cala.
**Serenidade é amor em estado de quietude.**
E amar é também permitir que a alma respire, entre um gesto e outro, entre um pensamento e outro, entre uma batida do coração e o próximo nascer do sol.
Você perguntou o que se pode fazer para encontrá-la.
Talvez a resposta esteja em algo ainda mais simples: **estar disponível para recebê-la quando ela vier**, sem tentar prendê-la, sem exigir que fique, mas com gratidão pela sua breve e valiosa presença.
Pois, como a poesia, a serenidade vive do instante.
E basta um instante para nos transformar.
Que análise e texto lindos! Como sempre, agregas valor, aprofundando e expandindo o tema lindamente. Muitíssimo obrigada!