
Escutando Lou Rawls cantar “Tempo”, deixei que a letra me tocasse com sua beleza simples. De forma geral, resumindo, fala que:
“há um tempo para nascer e um tempo para morrer; tempo para chorar, para ser jovem e rir do mundo; tempo para envelhecer e imaginar o que vem depois; tempo para amar, para derramar lágrimas; tempo para ferir e para curar. E, no fim, o tempo é apenas a medida das mudanças — e de como nos sentimos quando suas páginas viram. Tudo a seu tempo.”
Refletindo sobre a veracidade desta letra, com sua beleza e feiura, penso que ainda assim, nós lutamos contra ele — esse tempo invisível, atmosférico, incontrolável.
Quase nunca estamos contentes com suas viradas: ora queremos congelá-lo, ora desejamos que corra depressa, apagando memórias.
Mas talvez seja uma bênção sua instabilidade. Ele se move para que nós também nos movamos; impede que nos acomodemos, que reclamemos posse sobre o que é passageiro.
As mudanças nos abalam, é verdade. Nos derrubam, sacodem, desalinham.
Mas também nos despertam: convidam à transformação quando a realidade já não nos sorri.
E se estamos confortavelmente instalados em um lugar, ele sopra forte, lembrando-nos de que nada é eterno — nem nós.
Resta-nos, então, viver cada instante com presença. Abraçar cada fase antes que os ventos tornem a mudar o rumo das coisas.
Porque tudo, absolutamente tudo, é só por um tempo.
Cida Guimarães
06/11/25


