
Escutando “Like I’m Gonna Lose You”, deixo-me levar pela música refletindo sobre a ideia central de que o futuro é incerto e de que nada nos pertence de fato. Segurar alguém como se fosse a última vez é reconhecer que não existe promessa de amanhã. É amar sem a ilusão de garantias, como quem sabe que o tempo pode nos ser roubado num instante.
Em inglês, há uma expressão que traduz bem essa reflexão: ” take someone for granted”. Não temos um equivalente perfeito em português, mas o sentido é claro — tratar o outro como certo, como um direito adquirido. Muitas vezes, não valorizamos algo ou alguém, como devido – tornam-se comuns, habituais, quase como um móvel, prato preferido, com o qual nos acostumamos. E, no entanto, nada é certo. O que realmente temos é este momento, frágil e precioso, que tantas vezes deixamos escapar.
Vivemos como se o tempo fosse infinito, mas ele não é. Tudo passa rapidamente, o bom e belo; o ruim e feio. Nada permanece igual. Para o bem e para mal. Gostaríamos de reter as horas lindas, mas elas voam e os momentos penosos parecem que nunca vão acabar, mas cessam.
Raramente amamos com a urgência de quem sabe que pode perder. E, no fundo, o que nos resta é hoje — apenas hoje. Que possamos aproveitar cada instante, dizer o que precisa ser dito, sentir sem reservas e amar como se não houvesse amanhã.
Viver e florescer!
Viver e florescer é regar o sonho
para que nunca perca o brilho.
É transformar cada amanhecer
num campo fértil onde a esperança germina.
É beber o instante como se o amanhã fosse apenas miragem.
Amar com a urgência de quem sabe
que o tempo é um sopro,
e não deixar que as sombras do medo
ou as marés da insegurança
apaguem o fogo que nos move.
Porque a vida acontece agora,
e cada batida do coração
é um convite para recomeçar.
Cida Guimarâes
15/08/25
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