
Já escrevi sobre solidão, solitude, ser solitário…na realidade escrevo tanto que acabo escrevendo sobre tópicos já abordados. Entretanto, nunca saem iguais, algo é sempre distinto. Talvez o enfoque ou até a visão vá, gradativamente, se alterando, como a gente, que esperamos também possamos ir nos modificando.
Viver Só, Mas Não Sozinho
Viver sozinho não significa estar sozinho.
A diferença entre solidão e solitude é significativa.
Viver sozinho, mas não sozinho, é um conceito que une
independência com conexão emocional. Isso significa morar sozinho, administrar a própria rotina, mas manter vínculos afetivos saudáveis com outras pessoas e consigo mesmo.
A chave está em entender que a companhia mais duradoura da nossa vida somos nós
mesmos. Quando cuidamos dessa relação com carinho e presença,
tudo ao redor se torna mais leve. Psicanálise Clínica
Após dois casamentos longuíssimos — 25 e 28 anos, uma vida inteira dentro de vínculos — estou há três anos sozinha. Dona do meu tempo, das minhas escolhas, do meu silêncio.
Solitária? Não. Carrego uma vida interior intensa, que me acompanha como boa amiga.
E, na vida exterior, me ocupo com caminhadas, pilates, leituras, minha escrita, postagens, jardinagem, música, dança, minhas séries, filmes, e viagens: reais e imaginárias.
Sinto falta de um companheiro? Às vezes, sim. Falta de conversas profundas sobre tudo, de também trocar ideias bobas, de dividir um jantar, de viajar a dois, caminhar de mãos dadas, e, claro, de amar, beijar muito. Beijar e fazer amor é muito bom!
Sexo sem amor não é minha praia.
É belo sonhar — mesmo sabendo que certos sonhos podem parecer utópicos, difíceis, quase impossíveis. Mas também sei que junto do sonho viriam cobranças, expectativas, e aquela liberdade que poderia ser de novo cerceada.
Morar junto? Não mais. Hoje amo fazer as coisas no meu tempo, do meu jeito.
Viver só cria hábitos, manias, rituais — um pequeno eremitério dentro de nós.
E então surge a pergunta: como encontrar o meio-termo? A zona de conforto, o possível ideal? Ele existe? Ou estaremos sempre escolhendo — e aprendendo a conviver com as consequências das escolhas?
Talvez seja isso: viver é seguir afinando essa balança delicada entre desejo e liberdade.
E, enquanto o ideal não chega, seguimos caminhando — inteira, curiosa, aberta ao inesperado, sabendo que a vida ainda guarda seus próprios modos de nos surpreender.

E você, me conta. Como se sente em relação a este tema? Vive acompanhado, só?
Como lida com a situação?
Cida Guimarães
29/11/25


