
Imagem IA/Texto autoral
Estamos prestes a definir os rumos do nosso país. E a escolha que temos diante de nós é muito maior do que simplesmente escolher um candidato.
Vamos seguir por uma estrada conhecida, talvez não inteiramente asfaltada, com imperfeições e desafios a superar, mas que nos permite avançar e corrigir o percurso? Ou vamos nos aventurar por um caminho novo, sedutor em suas promessas, mas que poderá nos conduzir a lugares perigosos, cercados, sem saídas e sem possibilidade de retorno?
Nas minhas muitas décadas de vida, já testemunhei momentos que, para uma parcela da população, pareciam representar tempos melhores. Mas também vi o país mergulhar em uma ditadura que nos custou duas décadas de luta para superar.
Vi políticos e presidentes que admirava — João Goulart, Brizola e Juscelino Kubitschek, o homem que idealizou Brasília — serem perseguidos, cassados, afastados da vida pública e, em diferentes circunstâncias, submetidos a julgamentos e condenações.
Eu era adolescente. Já tinha ideias consideradas avançadas para a época e, de repente, vi-me com medo de expressá-las. Meu pai e meu namorado de então vibravam com o golpe militar. Eu, ao contrário, temia o que estava por vir. E não estava errada em temer.
Anos mais tarde, acompanhei o debate entre Collor e Lula. Com apreensão, assisti à maneira como Lula foi exposto e humilhado, com aspectos de sua vida pessoal e de sua trajetória apresentados publicamente de forma leviana e desproporcional. Depois, vi o mesmo povo que havia eleito Collor sofrer as consequências de um governo que confiscou suas economias.
Mais adiante, vivi a alegria de ver uma mulher chegar à Presidência da República. E também assisti, indignada, ao seu afastamento por meio de um processo de impeachment cuja legitimidade e justiça foram profundamente questionadas. Dilma Rousseff, uma mulher de personalidade forte, que não se curvava facilmente às pressões, tornou-se alvo de um processo que dividiu o país.
E agora, novamente, estamos diante de uma escolha decisiva.
Temos um presidente que chegou ao seu terceiro mandato depois de ter sido julgado, condenado e preso, em processos cujas condenações foram posteriormente anuladas. Um homem que, ao longo de sua trajetória, foi alvo de ofensas, acusações e tentativas de desqualificação: bêbado, corrupto, comunista, analfabeto e tantas outras barbaridades.
Mas também um homem que veio da pobreza, enfrentou enormes obstáculos, construiu sua trajetória política e alcançou a Presidência da República. Um líder reconhecido internacionalmente, que, ao longo de seus governos, esteve à frente de conquistas e políticas públicas que transformaram a vida de milhões de brasileiros: ProUni, Minha Casa, Minha Vida, Bolsa Família, valorização do salário mínimo e tantas outras iniciativas voltadas à redução das desigualdades e à ampliação de oportunidades.
É claro que há problemas, desafios e muito a fazer. Nenhum governo é perfeito. Mas é preciso reconhecer avanços, avaliar resultados e, sobretudo, pensar no que está em jogo.
Do outro lado, temos uma alternativa política que desperta sérias preocupações: um jovem político cercado de controvérsias, com questionamentos sobre suas relações com o escândalo do Banco Master, declarações e posições que desrespeitam minorias e propostas de privatizações e cortes em políticas sociais. Soma-se a isso o temor de que um eventual governo represente um alinhamento submisso aos interesses dos Estados Unidos, em detrimento da soberania brasileira.
É esse o futuro que queremos?
Meu Deus… Talvez eu nem esteja aqui para testemunhar todas as consequências das escolhas que faremos agora. Mas estarão aqui minhas filhas, minhas netas e, quem sabe, meus bisnetos.
E não é esse o Brasil que desejo deixar para eles. Pensei muito. Ponderei. Olhei para trás, para tudo o que vivi, e para a frente, para o país que ainda podemos construir.
E não se trata de ser de direita ou de esquerda, de pertencer a este ou àquele partido. Trata-se de valores que dizem respeito a todos nós: à preservação das liberdades individuais, à autonomia e à soberania do nosso país, à defesa da educação, da saúde e da cultura. Trata-se de reconhecer a importância das conquistas alcançadas e de não nos omitirmos diante da violência, do autoritarismo e das arbitrariedades. Afinal, há questões que ultrapassam diferenças ideológicas e partidárias. Dizem respeito à sociedade que queremos construir e ao futuro que desejamos preservar.
Por isso, faço um apelo: não permitam que a memória se apague. Não confundam promessas com garantias, discursos com realizações, nem mudanças com progresso.
A democracia, os direitos conquistados, a soberania nacional e as políticas que promovem dignidade e oportunidades não são presentes: são conquistas que precisam ser defendidas todos os dias.
Não deixe a história se repetir!
Não se omita. Não entregue seu futuro ao acaso. Informe-se, compare trajetórias, avalie propostas e vote com consciência. Pense nas próximas gerações. Pense naqueles que mais precisam. Pense no Brasil.
Vote com consciência. Vote pelo povo. Vote pelo Brasil!
L13
Cida Guimarães
15/10/26


