
Por que nos decepcionamos tanto com as pessoas?
O problema é delas — ou somos nós os responsáveis por termos criado expectativas irreais?
Esperamos que o outro aja como nós agiríamos. Mas ele é outro — com outra história, outra lógica interna, outro conjunto de valores.
E, quase sempre, suas escolhas não serão como as nossas.
Serão melhores? Piores?
Aí entra o julgamento — e julgamos a partir de nosso próprio ponto de vista, que nos parece sempre o mais sensato. E é nesse descompasso de percepções que nasce boa parte dos conflitos humanos.
Por trás — ou talvez por dentro — estão interesses diferentes, necessidades individuais, ego ferido, carência de empatia.
Cada um enxerga o que lhe convém, o que lhe parece mais vantajoso.
E desconsidera, sem culpa aparente, se essa escolha atropela ou não os sentimentos do outro.
E assim seguimos: com o egoísmo moldando decisões, com a empatia sufocada pela pressa e pelo medo, e com a decepção crescendo na ausência de compreensão mútua.
Uma triste engrenagem que, ampliada, gera desentendimentos, rupturas, guerras.
E tudo começa aqui — no pequeno gesto, na expectativa não atendida, no não dito, no não compreendido. Seria tão fácil perguntar, questionar, buscar saber a necessidade e ou visão do outro. Querer primeiro entender para só depois agir ou reagir.
Você cria muitas expectativas em relação aos outros, à situações, eventos? Como lida com as frustrações e decepções?
Cida Guimarães
04/08/25



É impressionante como a decepção nasce muitas vezes da expectativa que criamos sobre os outros, e não apenas das escolhas alheias. Somos todos seres complexos, carregando histórias, valores e necessidades próprias, e esperar que alguém aja exatamente como agiríamos é um convite à frustração. Talvez a chave não seja evitar as expectativas, mas cultivá-las com consciência, aliando observação e empatia. Quando buscamos compreender antes de julgar, quando nos permitimos ouvir e nos colocar no lugar do outro, diminui-se o espaço para o descompasso e cresce a possibilidade de relações mais genuínas, menos dolorosas. No fundo, cada decepção é um convite para olharmos mais para nós mesmos, para nossos limites e nossos julgamentos, e para aprendermos a navegar as diferenças com respeito e presença.
Exatamente! Nossas expectativas são geralmente a causa de nossa decepção. Obrigada pela contribuição.