
Hoje, caminhando pela praia —lugar onde minha alma fala mais perto de Deus —
deixei que o vento revisitasse minhas fases: amores que passaram, alegrias que
iluminaram, tristezas, dores, arrependimentos que ainda sussurram.
Muitas emoções!
Conversei em silêncio com cada lembrança. Pedi perdão pelas falhas, ofereci perdão pelos ferimentos —e, assim, fui lavando a poeira das memórias, deixando que emoções antigas finalmente respirassem.
Somos feitos de maré —somos ondas que nos atravessam.
Perdão, gratidão, amadurecimento: tudo se mistura, um sentimento chama o outro,
se nutrem, se explicam, às vezes discutem, às vezes se abraçam.
Não somos máquinas: somos correnteza. Se não escutamos o que nos move, se ignoramos o que nos arranca lágrimas, ou o que ainda jaz escondido em silêncio, acabamos frágeis, desordenados por dentro.
Outrora — na juventude —eu não pensava sobre minhas emoções: apenas seguia,
me deixava arrastar, talvez por isso tenha tropeçado tanto.
Hoje caminho devagar. Penso, revisito, mudo de opinião sem medo de parecer incoerente.
Apenas vivo. Sinto intensamente, mas recolho palavras, escrevo, analiso, e me reconheço capaz de enxergar meus erros, acertos, meus pontos de luz e os de fragilidade.
Às vezes, queria ser mais fria —menos tocada pelas dores do mundo — para sofrer menos.
Mas o nascer do sol, o cair da tarde, a natureza inteira, uma única música, já me arrancam lágrimas.
Sou feita de mar, vento e emoção. E, talvez, minha verdade seja essa: sentir profundamente é o meu modo de existir.
Cida Guimarães
10/11/25


