
“Entre o estímulo e a resposta existe um espaço. Nesse espaço habita nosso poder de escolha, a nossa liberdade.” Viktor Frankl
Mas temos, de fato, total liberdade? Será ampla a escolha ou nosso livre-arbítrio se reduz a um pequeno intervalo, um instante frágil entre o desejo e o medo?
Livre de quê? De mim mesma, dos meus próprios limites?
Onde começa e onde termina meu espaço de poder, de decisão?
São os outros que me restringem —a sociedade, suas regras, suas expectativas — ou são meus próprios valores que me acorrentam?
Como ser livre se eu mesma ergo os muros?
Como escolher se temo os caminhos depois da porta aberta?
Talvez a liberdade não seja ausência de correntes, mas a coragem de dançar apesar delas .
Não ser certeza, mas confiança. Ser plenitude, movimento. A cada escolha, mesmo pequena, afirmo que ainda posso recomeçar. E nesse gesto, que parece simples, há uma liberdade imensa: a de ser um pouco mais eu mesma, a de transformar limites em degraus, a de encontrar, dentro do espaço estreito, um horizonte inesperadamente vasto.
LIVRE?
Livre como o ar que enche meu peito e sustenta meu ser,
como o vento que muda as marés e troca tudo de lugar,
como os pássaros que partem em busca de outros destinos —
sim, queria ser livre assim…
Mas sou?
Ou sigo presa em mim mesma, nos meus conceitos,
nos afetos e sujeita às coisas pequenas
que me retêm e me fazem refém de quê?
De ninguém — senão dos meus próprios bens e dos porquês que carrego em silêncio.
Cida Guimarães
23/08/25



Ser livre talvez não seja romper todas as correntes,
mas aprender a dançar apesar delas.
Não é ausência de medo,
mas a coragem de atravessar a porta sem saber o que há depois.
A liberdade não grita, ela sussurra.
Aparece no instante silencioso em que escolho,
mesmo quando o mundo inteiro parece decidir por mim.
É quando transformo muros em janelas,
limites em degraus,
e descubro que dentro de um espaço pequeno
pode caber um horizonte imenso.
Ser livre é recomeçar,
é confiar mais do que saber,
é respirar fundo e sentir que, apesar de tudo,
o vento ainda sopra em mim.
O texto que você escreveu traz uma reflexão profunda sobre o que realmente significa ser livre. Viktor Frankl nos lembra que, entre estímulo e resposta, existe um espaço, pequeno, mas essencial. Nesse intervalo, mora nossa possibilidade de escolha. Porém, como você questiona, até onde essa escolha é ampla?
A liberdade raramente é absoluta. Somos atravessados por condicionamentos internos, medos, inseguranças, crenças, e por condicionamentos externos, cultura, sociedade, leis, expectativas. Muitas vezes, acreditamos que são os outros que nos prendem, mas na verdade, boa parte das correntes são erguidas dentro de nós mesmos.
A verdadeira liberdade, portanto, não é ausência de barreiras, mas a coragem de enfrentá-las. É a capacidade de transformar cada limite em aprendizado e cada obstáculo em degrau. Não significa ter todos os caminhos abertos, mas ter a confiança de seguir mesmo quando há incertezas.
Ser livre pode ser tão simples quanto respirar fundo, tão ousado quanto escolher um novo começo, tão profundo quanto dançar apesar das correntes. É um estado de espírito que não nega as amarras da vida, mas encontra nelas um impulso para criar sentido.
Assim, a liberdade não está em viver sem muros, mas em perceber que até dentro de um espaço estreito podemos abrir janelas para horizontes inesperados.
Referências:
Viktor E. Frankl, Em busca de sentido (1946).
Isaiah Berlin, Dois conceitos de liberdade (1958).
Obrigada Evaldo! Tuas contribuições são sempre valiosas. Gosto muito das ideias de Viktor Frankl e suas teorias – existencial e cognitiva.
A nossa liberdade é limitada, mas há escolhas, que são, como bem colocaste, um espaço estreito, cabendo a nós abrir possíveis janelas.