
Tem a ver com idade? Estar maduro como uma fruta pronta para ser colhida e saboreada?
Em síntese, entende-se que a maturidade seria um estágio do nosso desenvolvimento — teoricamente situado entre a juventude e a velhice — no qual alcançamos, pela experiência, maior ponderação e equilíbrio.
Mas será que isso ocorre sempre? Haveria jovens já maduros e sensatos, e idosos que permanecem imaturos?
Lembro que, quando criança, ajudava meu pai a ensacar as inúmeras frutas do quintal para protegê-las dos insetos e permitir que amadurecessem sem danos. Fico imaginando: e se nós também pudéssemos ser preservados das intempéries da vida e amadurecer sem traumas? Seríamos os mesmos — ou absolutamente diferentes?
Até que ponto são nossas experiências que nos conduzem ao amadurecimento? Ou será que é nossa reflexão sobre os fatos, escolhas e atitudes que, de fato, amadurece ideias, sentimentos e consciência?
Muitas perguntas, poucas certezas. Talvez a única seja a de que a maturidade emocional é de conquista difícil: exige autoconhecimento, esforço, vigilância interna e empatia.
Somente quando aprendemos a equilibrar emoções, perdoar — a nós e aos outros — e cultivar a gratidão pelas nossas conquistas é que podemos, enfim, alcançar um certo grau de maturidade emocional. Ainda assim, ela não é permanente: pode ser abalada, fragilizada.
Por isso, precisa de atenção e cuidado constantes —como um fruto que, mesmo maduro, segue necessitando de sol, abrigo e tempo.
Talvez, no fundo, maturidade não seja um ponto de chegada, mas um caminho silencioso, tecido em cada gesto, em cada perdão sussurrado dentro do peito, em cada gratidão que floresce sem alarde. E assim seguimos: entre quedas e recomeços, entre dores que nos partem e luzes que nos recompõem, aprendendo a colher de nós aquilo que o tempo, a ternura e a consciência souberam amadurecer.
Porque ser maduro talvez seja isso: continuar germinando — mesmo depois da colheita.
Cida Guimarães
09/11/2025


