Vocês acreditam em almas gêmeas? Em pessoas cujos espíritos já se encontraram em outras vidas e retornam, nesta existência, para seguir juntas – ou talvez para resgatar dívidas antigas?
Acreditam em destino? Em coincidências que, no fundo, parecem tudo, menos acaso?
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O AVESSO DA LUZ!
Quando duas almas se encontram há um instante de luz.
Reconhecem-se. Admiram-se. Conectam-se.
E nasce o anseio – de estar, de permanecer, de ver o outro de perto, sem véus.
Mas logo, como sombra no fim da tarde, chega o medo: e se tudo ruir?
É tênue demais a linha que separa o enlevo do desprezo,
a magia da exaustão, a beleza da ruina.
Como colher só o belo, sem tocar o espinho?
Como impedir que o escuro venha atrás do brilho, apague, ofusque,
ou apenas nos lembre que a felicidade dura menos
que o sopro de um suspiro?
Cida Guimarães
03/08/25



Um texto poético que reflete uma dualidade muito humana: o fascínio da conexão e o receio da perda. Ele traduz bem o movimento entre luz e sombra, entre o desejo de viver plenamente a beleza de um encontro e o medo inevitável de sua fragilidade.
O título “O Avesso da Luz” é bastante simbólico. Toda luz projeta sombra, e essa sombra não é necessariamente negativa, mas parte inseparável da própria existência da luz. Assim, o título aponta para essa realidade: sempre que nos aproximamos da plenitude, do amor, da admiração, da felicidade, nos tornamos também conscientes de sua vulnerabilidade, do risco de ruína, da efemeridade das coisas.
A reflexão central é que não existe luz sem o seu avesso. O medo, a dor e a incerteza são a contrapartida natural do encanto e da beleza. O desafio, talvez, esteja em aprender a aceitar essa impermanência: acolher tanto o brilho quanto a sombra, sabendo que ambos fazem parte da experiência de viver e de amar.
Em outras palavras, o texto sugere que o verdadeiro aprendizado é viver o instante da luz sem se deixar paralisar pelo medo da sombra. Afinal, a beleza não perde seu valor por ser passageira, pelo contrário, é justamente sua transitoriedade que a torna tão preciosa.
O Avesso da Luz (Reflexão Filosófica)
Quando duas almas se encontram, nasce a claridade de um instante raro. É o sopro de eternidade que sentimos em meio ao tempo breve. Mas, como toda luz projeta sombra, o medo logo se insinua: e se esse brilho se apagar?
O estoicismo nos lembra que nada é totalmente nosso, exceto a forma como reagimos aos acontecimentos. A beleza do encontro é um presente do momento, não uma posse garantida. Assim, o avesso da luz não deve ser visto como ameaça, mas como convite: desfrutar sem apego, viver o agora sem exigir que ele dure para sempre.
Santo Agostinho, por sua vez, diria que a verdadeira luz não pode se perder, pois ela vem de dentro, do coração voltado ao eterno. O amor humano é reflexo, é centelha dessa luz maior. Quando experimentamos o encanto de um encontro, tocamos uma sombra dessa eternidade; quando sentimos medo da perda, é porque confundimos o reflexo com a fonte.
O avesso da luz, portanto, não é ausência, mas caminho. Ele nos ensina que cada claridade é mais bela justamente porque é finita, e que toda sombra pode nos guiar à procura da luz que não se apaga.
Assim, viver é aceitar esse contraste: permitir-se brilhar no instante, acolher a sombra quando ela vier, e compreender que ambos fazem parte da mesma tapeçaria da existência.
Que profundo, verdadeiro e gratificante receber esta contribuição valiosa, que agrega substância e valor ao meu texto. Lindo! Muito obrigada!
Mesmo quando conscientes da verdade, do que tão bem expressaste, nem sempre conseguimos ter tranquilidade para aproveitar bem estes momentos luminosos.
Fico profundamente tocado pelas suas palavras generosas. É verdade, mesmo quando temos clareza sobre o valor do instante presente, sobre a luz que por vezes se insinua silenciosa no meio da pressa e das incertezas, nem sempre conseguimos nos abrir totalmente para ela.
A consciência, embora seja um passo fundamental, não garante a serenidade. Às vezes, é preciso silenciar não apenas o mundo ao redor, mas principalmente o turbilhão dentro de nós. E tudo bem, somos humanos, e há beleza também na tentativa, no esforço delicado de se fazer presente.
O mais importante é não se culpar por não conseguir sempre. A luz, quando é verdadeira, volta. E quando voltamos a vê-la, mesmo que por instantes breves, ela nos reconecta ao que importa, ao que somos. Isso já é uma forma de gratidão em ação.
Que você continue encontrando esses momentos, e que, mesmo quando não for possível acolhê-los com plenitude, você se trate com a mesma doçura que ofereceu agora.
Acredito que é mais fácil silenciar o mundo que o turbilhão interno. Obrigada pelas lindas palavras e carinho.