
E estamos chegando a mais uma eleição. E, como sempre, os ânimos se exaltam, as polaridades se extremam e tudo parece se resumir a uma visão simplista de preto ou branco, perfeito ou imperfeito. Mas existe alguém ou alguma coisa absolutamente isenta de falhas? Somos humanos, imperfeitos, cheios de contradições e fragilidades. Ainda assim, quando olhamos para quem nos representa, parece que exigimos uma perfeição que nem nós mesmos somos capazes de oferecer.
O que me assusta — e, por vezes, me apavora — é ouvir pessoas defendendo posições tão extremadas a ponto de cogitarem anular seu voto ou simplesmente se abster de votar, como se isso fosse uma forma de protesto ou de neutralidade.
Eu, pela idade, já não sou obrigada a votar, mas enquanto estiver viva e lúcida, faço questão de expressar minha voz e exercer minha cidadania.
Não nos enganemos: não escolher também é uma escolha. E, talvez, uma das mais perigosas. É entregar ao acaso, ou à decisão da maioria, uma responsabilidade que é nossa. É abrir mão de uma voz, por menor que seja, justamente quando ela mais precisa ser ouvida.
Por que não colocar a HUMANIDADE acima das disputas?
Por que não escolher a defesa da vida, dos direitos civis e nacionais, da nossa soberania, da nossa cultura e, sobretudo, do direito de cada pessoa ser quem é? Independentemente de sua religião, sexualidade, gênero, condição física, vulnerabilidade econômica ou qualquer outra circunstância que não lhe retire a dignidade.
Escolha pessoas que representem os valores em que você acredita, e não um partido. Não precisamos concordar em tudo. Não precisamos encontrar perfeição em ninguém. Precisamos, sim, de consciência, responsabilidade e compromisso com aquilo que verdadeiramente importa.
A democracia não se sustenta na omissão. A cidadania não se exerce no silêncio. E a nossa voz não pode ser entregue à indiferença!
VAMOS EXERCER NOSSA CIDADANIA! Vamos escolher, participar, questionar e fazer valer nosso direito de decidir. Nem que seja com um único voto, com uma única voz, mas que seja uma voz presente, consciente e responsável.
Porque quando abrimos mão de escolher, permitimos que outros escolham por nós. E depois não podemos nos eximir das consequências.
Não existe democracia sem participação, não existe cidadania sem responsabilidade e não existe liberdade quando abrimos mão da nossa própria voz.
Cida Guimarães
02/10/26


