
Sou feita de emoção. Uma palavra, uma música, um filme, uma lembrança, uma cena — tudo me toca, me emociona, às vezes me desequilibra.
Nem sempre fui assim. Ou talvez tenha sido, mas de outra maneira. Fui mais racional, menos sensível, mais protegida das emoções. A vida, porém, foi me moldando, transformando, sensibilizando. Hoje talvez eu olhe mais para dentro, sinta com mais intensidade, permita que a emoção me transporte —
e, depois, investigue o que está acontecendo comigo. E o que está acontecendo?
Passei muitos anos da minha vida vivendo no Chronos, o tempo que passa, sem olhar para o Kairós, o tempo que se vive — o instante oportuno, o momento que acontece e que, uma vez perdido, não volta.
E quantos instantes perdi?
Quantos momentos importantes passaram por mim sem que eu realmente os percebesse?
Hoje, às vezes, procuro esses momentos na memória e não os encontro. E me pergunto: eu realmente vivi determinadas fases da minha vida?
Não há como recuperá-las. E sei que não as perdi por escolha ou por descaso.
Foi, talvez, por ignorância, por despreparo para a vida, por ainda não saber estar inteira no momento que estava vivendo. Não adianta, porém, olhar para trás com arrependimento.
Se hoje compartilho essas memórias e reflexões, é porque talvez possam servir a alguém. Talvez possam ajudar outros a olhar para o próprio presente com mais atenção, a praticar o mindfulness, a reconhecer o seu Kairós — esse tempo vivido com presença e plenitude.
Porque o presente é o único tempo que realmente temos. E, quando o deixamos passar sem vivê-lo, não há como recuperá-lo.
E você, é feito de quê?

HAICAI ( filosófico)
VIVI? NÃO VIVI?
FUI MUITAS, HOJE SOU OUTRA
QUEM SOU EU HOJE?
Compartilhe comigo. Gostaria de conhecer sua visão, suas experiências, suas concordâncias e também suas discordâncias. Afinal, crescemos quando compartilhamos ideias, pensamentos e diferentes maneiras de enxergar a vida.
Talvez seja justamente aí que outro “Kairós” aconteça: no instante em que duas pessoas se encontram para compartilhar o que aprenderam.
Cida Guimarães
18/08/26


