
Rótulos? Deus me livre. Outro dia, após algumas interações, não muito frutíferas, fui “brindada”, em momentos distintos, com adjetivos que não imaginava constarem na minha lista de possíveis defeitos:
exigente e perfeccionista. Bem… um não decorreria do outro?
Penso ser triste precisarmos rotular o outro quando as coisas não correm como gostaríamos. Rótulos são pobres — incapazes de definir alguém que é sempre mais, sempre múltiplo, por vezes até contraditório.
Será que sou? Talvez, comigo mesma, eu seja exigente — na busca por verdade, transparência, honestidade, bondade…e nesse desejo contínuo de me tornar uma versão melhor de mim. Mas perfeccionista?
Creio que não. Busco crescer, sim. Fazer o meu melhor, também. Mas não sou refém de uma perfeição que sei ser inalcançável para qualquer ser humano. Se fosse, talvez nem tivesse coragem de partilhar meus versos — tão distantes da perfeição… e, ainda assim, a melhor expressão de mim, em cada instante.
Então, quem sabe possamos olhar o outro sem a pressa de reduzi-lo a uma etiqueta?
Somos muitos em um só —e diferentes, a cada momento. E talvez seja justamente nisso que reside a beleza: nessa imperfeição que nos move, nessa mudança constante que nos refaz, nessa liberdade de não caber em definições.
Porque, no fim, não somos aquilo que nos dizem — mas aquilo que, dia após dia, ainda escolhemos nos tornar.

A Liberdade de Não Ser Definida
Exigente? Sim — comigo.
Com meus pensamentos, minhas ações,
com o que — e com quem — escolho aceitar.
Com meus limites, minhas verdades, minhas prioridades.
Perfeccionista? Não. Sou humana — e, portanto, imperfeita.
Mas busco, sim, crescer, dar o melhor de mim…e, quem sabe,
esperar que o outro também ofereça o seu melhor.
Um alimenta o outro? Talvez. Exijo de mim aquilo que posso ser.
Nada espero — mas tampouco aceito ser apenas uma opção.
Cida Guimarães
02/06/26


