
Em um mundo conturbado por eventos extremos, catástrofes ambientais — como inundações, terremotos, incêndios florestais e avalanches —, pela polarização de ideias e atitudes, por guerras que pipocam em diferentes partes do planeta, redes sociais inundadas por perfis falsos — “scammers” de todos os tipos —, índices alarmantes de feminicídio e um custo de vida cada vez mais elevado, não é de se admirar que nos deparemos com tantos posts de pessoas desiludidas, perdidas e desesperançadas.
Enquanto o mundo avança em tantos aspectos, especialmente na tecnologia, parece que, em alguma medida, regredimos na esfera pessoal, humana. Há excesso de egocentrismo, egoísmo, ansiedade e um crescimento inquietante dos problemas de saúde mental.
O que fazer? O que buscar? Existem hoje diferentes grupos de ajuda, caminhos, métodos, promessas… e, ainda assim, algo parece não se sustentar.
Talvez porque estejamos olhando demais para fora. Talvez o que nos falte não esteja no mundo — mas no retorno a nós mesmos. No autoconhecimento. No cultivo de valores morais e espirituais. Na coragem de reavaliar princípios e questionar se estamos, de fato, exercendo o respeito e a tolerância às diferenças.
Porque, em meio a tanto ruído, pode ser justamente no silêncio interior que a vida volte a fazer sentido.
E, quem sabe, seja nesse reencontro — íntimo, honesto e, tantas vezes, desafiador — que possamos reconstruir não o mundo lá fora, mas a forma como existimos dentro dele.
Entre o Ruído e o Ser
Olho — e não encontro.
Vejo — e me perco no vazio, no caos.
Quem sou? Quem são os outros?
O que é, de fato, essencial — e o que é apenas ruído?
O abismo chama…mas a clareira insiste.
Há uma luz — e ela também me chama.
Cida Guimarães
10/08/26


