
Não há como sufocar um grito de puro horror!
Quanta tragédia, quanta tristeza! Tenho a sensação de que o mundo virou de pernas para o ar. Não quero ser arauto do horror — entretanto, é difícil não sentir que estamos presenciando o fim de uma era.
Pipocam, em nosso quintal e do outro lado do mundo, tornados, inundações, incêndios florestais, terremotos, conflitos, guerras. É alarmante o índice de feminicídios. E, sem falar no caos econômico e político, há também o caos pessoal: as relações estão cada vez mais difíceis. O egocentrismo, o egoísmo e tantos outros “ismos” parecem dominar.
Culpa de quem? Dos outros? Dos políticos? Da sociedade?
Ou nossa, individualmente, quando nos calamos e não nos posicionamos, preocupados apenas conosco e com nossas necessidades mais imediatas?
Às vezes, desligamos a televisão para não saber, para não sofrer, para não sermos afetados. Mas será possível permanecer indiferente ao que acontece ao nosso redor?
As mudanças começam sempre dentro de nós, individualmente. Há que gritar, mas há também que silenciar. Buscar paz, amor, propósito, verdade dentro do coração — e, a partir daí, irradiá-los.
Talvez seja pouco. Talvez pareça insuficiente diante da dimensão do caos. Mas é assim, de dentro para fora, que talvez consigamos, pouco a pouco, transformar alguma coisa dessa triste realidade.
Eu já estou vivendo meus anos bônus, mas me preocupa o mundo que minhas filhas, minhas netas e, quem sabe, meus bisnetos herdarão. Ou será que terão um mundo para herdar?
Por isso, vamos gritar quando for preciso. Vamos silenciar quando o silêncio nos ajudar a ouvir. E vamos buscar mudar aquilo que estiver ao nosso alcance.
Não escolhendo partidos. Não alimentando radicalismos. Mas escolhendo pessoas inteiras: humanas, compassivas, capazes de aceitar o outro em suas diferenças e comprometidas com objetivos verdadeiramente humanos.
Porque talvez o mundo não precise apenas de mais vozes.
Talvez precise, sobretudo, de seres humanos dispostos a não perder a humanidade.

Ressurgir
Irradiar amor para espantar a dor,
Esquecer o horror de tanto pavor.
Inundações, incêndios, terremotos, mortes,
Abusos, guerras, irracionalidade de seres
Que vivem e agem como feras,
Esquecidos de sua própria humanidade.
Onde está o humano, o sensível, o compassivo?
Aquele que busca compreender, pacificar, não julgar,
E que, apesar de tudo, ainda escolhe amar?
Olha dentro de ti e faz ressurgir esse ser que a dor transformou,
Redimido, renovado, capaz de amar outra vez.
Talvez seja de dentro que comece a mudança:
Um ser que desperta, um coração que se ilumina,
Uma luz que se irradia e, pouco a pouco, espanta a escuridão.
Cida Guimarães
12//08/26


