
Outro dia me peguei pensando no quanto passamos a vida sustentando certezas como se fossem pilares inabaláveis. Elas nos dão chão, é verdade. Organizam o mundo, simplificam escolhas, nos poupam do desconforto de não saber.
Mas há algo curioso nas certezas: raramente nascem conosco. São herdadas, repetidas, aceitas antes mesmo de serem compreendidas. Crescem em nós como verdades prontas — silenciosas, firmes — até que um dia, quase sem aviso, começam a rachar. E é nesse instante que a dúvida entra.
A dúvida não chega fazendo alarde. Ela se insinua. Um incômodo, uma pergunta fora de lugar, uma sensação de que algo já não se sustenta como antes. E então, aquilo que parecia sólido revela suas fissuras. Nem sempre gostamos desse momento.
Perguntar exige coragem. Porque perguntar desmonta. Obriga a olhar de novo, a reconsiderar, a admitir que talvez não saibamos tanto quanto pensávamos.
E há um certo conforto em não mexer no que já está posto.
Por isso, muitas vezes, evitamos. Desviamos. Silenciamos as perguntas antes que ganhem forma. Preferimos a segurança da resposta antiga ao risco do novo entendimento. Mas há um preço.
Sem perguntas, não há movimento. Sem dúvida, não há profundidade.
Vivemos, então, repetindo respostas que já não nos pertencem, sustentando certezas que já não nos habitam.
Foi preciso tempo — e alguns tropeços — para entender isso.
Aprendi que perguntar não é sinal de fragilidade, mas de presença. Que duvidar não é perder o rumo, mas começar a traçar um caminho próprio. E que nem toda resposta precisa ser imediata — algumas amadurecem no silêncio, no tempo, na escuta.
Hoje, já não busco certezas absolutas., e elas não existem. Certo?
Prefiro as perguntas que me atravessam, que me inquietam, que me obrigam a olhar com mais cuidado — para mim, para o outro, para o mundo.
Porque, no fim, talvez não seja sobre ter respostas. Mas sobre aprender a sustentar, com honestidade, as perguntas que nos transformam.
Adoraria saber sobre você. Há mais perguntas ou respostas?
Elas permanecem iguais ou elas vêm mudando ao longo do tempo?
Aprender a Perguntar
Não busque respostas prontas. Viva as suas perguntas.
Cresci entre verdades entregues, embaladas —sem espaço para dúvida.
Perguntei. Mas o silêncio respondia.
Faltou troca. Sobrou distância.
Depois, foi a vida que ensinou —na falta, no erro, no tropeço.
Até que um dia olhei para dentro.
E, pouco a pouco, desfiz o que não era meu.
Hoje sei: perguntar é abrir caminho.
E escutar —é, enfim, começar a responder.
Cida Guimarães
19/07/26


